
A avaliação é de David Benevides, sócio-líder da área tributária da Grant Thornton Brasil, empresa global de auditoria e consultoria. Ele conversou com o Bom Dia News durante a Conferência Brasil-Coreia 2026, realizada no dia 22, em São Paulo.
Benevides tem mais de 20 anos de experiência nas áreas tributária, de auditoria e de fusões e aquisições. Desde 2012, participou de mais de 200 projetos de fusões e aquisições e atua com estratégia tributária, reestruturação empresarial e diligência prévia para investimentos.
“Haverá mudanças muito significativas e concretas na estrutura dos negócios, nas cadeias de suprimentos, nos contratos, na formação de preços e no aproveitamento de créditos tributários”, afirmou, ao comentar os efeitos da reforma sobre as empresas brasileiras.
“A reforma não se limita à unificação de tributos. Ela vai mudar o próprio modelo de negócios das empresas”, disse. “O Brasil passará a ter um sistema moderno, mais alinhado aos padrões internacionais de tributação.”
O executivo ponderou, porém, que a transição para o novo sistema será longa e que as empresas deverão enfrentar mudanças consideráveis ao longo dos próximos anos.
A partir de 2027, o Brasil passará a cobrar plenamente a CBS, novo tributo federal sobre o consumo, com a extinção do PIS e da Cofins. O IBS, tributo sobre o consumo de competência de estados e municípios, será implementado gradualmente. A entrada em vigor integral do novo sistema está prevista para 2033.
Benevides avalia que a reforma também terá efeitos positivos para os investidores estrangeiros, incluindo as empresas sul-coreanas.
Questionado sobre a possibilidade de melhora no ambiente de investimentos para essas empresas, respondeu: “Não há dúvida.”
“Enquanto a alíquota do imposto sobre valor agregado na Coreia do Sul é de 10%, a estimativa para o Brasil é de cerca de 28%. Portanto, ainda há uma diferença grande entre as alíquotas”, afirmou. “Mas é claro que a forma de tributar no Brasil ficará mais próxima dos padrões internacionais.”
Na avaliação de Benevides, a cooperação com a Coreia do Sul também deverá continuar independentemente do resultado do segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para o próximo dia 25.
“Os dois candidatos à Presidência mantêm boas relações com a Coreia do Sul e acredito que ambos concordam com a abertura do mercado brasileiro aos países asiáticos, independentemente da ideologia política”, disse.





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